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A Parábola dos Trabalhadores…

Mais uma vez, Deus deseja que compreendamos a mensagem: Ele nutre um sentimento especial para com os excluídos. O que a sociedade rejeita, Deus aceita. O que o mundo considera perdido, Deus recolhe. Foi por isso que Jesus contou a história dos trabalhadores escolhidos. É a primeira história de sua última semana. É a última história que ele contará antes de entrar em Jerusalém. Assim que atravessar os muros da cidade, Jesus se tornará um homem condenado. A ampulheta será virada e a contagem regressiva e o caos terão início.

Mas ele não está em Jerusalém. E não fala a seus inimigos. Está na zona rural de Jericó e com seus amigos. E é para esses amigos que Ele conta esta parábola.

Um proprietário de terras necessita de trabalhadores. Às seis horas ele contrata um grupo; todos concordam com o salário e são enviados ao local de trabalho. Às nove horas ele volta à agência de empregos e contrata mais alguns. E ao meio-dia ele volta, e às 15 horas torna a voltar, e às 17 horas… você já sabe. Volta outra vez.

O ponto principal da parábola é a raiva daqueles que trabalharam doze horas em relação aos demais que receberam salário igual. Essa é uma mensagem muito importante, mas será deixada para um outro livro.

Desejo ressaltar um aspecto quase sempre esquecido nessa história: a escolha. Você consegue compreender? Aconteceu às nove horas. Aconteceu ao meio-dia. Aconteceu às 15 horas. E o mais impressionante, aconteceu às 17 horas.

Cinco horas da tarde. Diga-me uma coisa: o que faz um trabalhador às 17 horas? A maior parte do serviço já foi feita. Os trabalhadores medíocres chegaram na hora do almoço. Os últimos aproveitáveis chegaram às 15 horas. Que tipo de trabalhador é deixado para ser escolhido às 17 horas?

Não fizeram nada o dia todo. São inexperientes. Despreparados. Incultos. Estão pendurados no degrau mais baixo da escada. São total-mente dependentes de um patrão misericordioso para lhes dar uma oportunidade que não esperavam.

A propósito, somos iguais a eles. Deixando de lado um pouco do orgulho, devemos aceitar o conselho de Paulo e analisar o que éramos quando Deus nos chamou.’ Você se lembra?

Alguns de nós eram educados e espertos, mas franzinos como papel machê. Outros sequer tentavam esconder o desespero. Sorvíamos o desespero. Cheirávamos o desespero. Matávamos o desespero. Vendíamos o desespero. A vida era uma busca de emoções. Estávamos à procura de um tesouro dentro de um baú vazio em um beco sem saída.

Você se lembra de como se sentia? Lembra-se do quanto transpirava de angústia em sua alma? Lembra-se de como se esforçava para ocultar a solidão até ela ficar maior do que você, e a partir de então tentava apenas sobreviver?

Atenha-se a essa cena por alguns instantes. Agora responda: por que ele escolheu você? Por que ele me escolheu? Honestamente. Por quê? O que nós temos que possa interessar a ele?

Intelecto? Francamente, será que chegamos a pensar por um minuto que temos ou, quem sabe, teremos — um pensamento que ele não tenha tido?

Determinação? Posso respeitar isso. Podemos ser obstinados a ponto de caminhar sobre a água se formos chamados a fazer isso… mas será que o reino de Deus teria sucumbido sem nossa determinação?

E que tal dinheiro? Entramos no reino com um pequeno pé-de-meia. Talvez seja por isso que fomos escolhidos. Talvez o criador do céu e da terra pudesse fazer uso de um pouco do nosso dinheiro. Quem sabe o dono de todos os seres vivos e de todas as pessoas e também autor da História estivesse necessitando de algum capital e tenha vislumbrado em nós alguma possibilidade…

Entendeu o sentido?

Fomos escolhidos pelos mesmos motivos que os trabalhadores das 17 horas foram. Você e eu? Somos os trabalhadores das 17 horas.

Somos nós que nos encostamos na cerca do pomar fumando cigarros pelos quais não podemos pagar e apostando em um joguinho qualquer algumas cervejas que não temos condições de comprar. Trabalhadores migrantes, sem emprego e sem futuro. Na tatuagem em seu braço lê-se “Betty”. Na tatuagem em meu bíceps não há nome de ninguém mas os quadris dela se projetam quando flexiono o braço. Deveríamos poder ir para casa após o apito da hora do almoço, mas nossa casa é apenas uma moradia de um cômodo onde há uma esposa nos aguardando e cuja primeira pergunta será: “Você conseguiu ou não?”

E assim esperamos. Os pequenos demais, os velhos demais.

E Jesus? Bem, Jesus é aquele motorista da camioneta preta, proprietário das terras na encosta da colina. Ele é o homem que nos viu na estrada quando passava por nós, deixando um rastro de pó atrás de si. Ele é aquele que parou a camioneta, deu marcha a ré e se aproximou de onde estávamos.

É sobre ele que você conversará com sua esposa esta noite enquanto caminha até a mercearia com alguns trocados no bolso. “Nunca tinha visto esse camarada antes. Ele parou, abriu o vidro da camioneta e perguntou se queríamos trabalhar. O dia já estava terminando, mas ele nos disse que tinha um serviço urgente. Juro, Martha, trabalhei apenas uma hora e ele me pagou o dia integral.”

“Não, não sei seu nome.”

“É claro que vou procurar saber. Bom demais para ser verdade, aquele camarada.”

Por que ele escolheu você? Porque quis. Afinal de contas, você pertence a ele. Foi ele quem fez você. Ele o levou até sua casa. Ele é seu dono. E certa vez, ele deu-lhe um tapinha no ombro e o fez lembrar daquele fato. Não importa quanto tempo você esperou nem quanto tempo perdeu; você lhe pertence e ele tem um lugar para você.



– de Max Lucado, no livro “Quando os Anjos Silenciaram”, Campinas: Editora United Press, 1999, pp. 18-21.


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